1. Age em abuso de direito, na vertente de venire contra factum proprium, o demandado que cria uma situação que dá azo à demora na dedução da ação, por tornar incerta a necessidade de a intentar, e após deduz a exceção perentória de caducidade.

2. Se o demandado acorda com o demandante que vai tomar diligências para decidir se este tem razão, com vista a chegar a uma posição que evita a dedução da ação, e o demandante por causa dessa promessa aguarda pela resposta do demandado para a deduzir, há que considerar que aquele que, no fundo, solicitou tempo para decidir se acedia ou não ao peticionado, está a manifestar que não irá contabilizar esse período para efeitos da contagem da caducidade.

3. De outra forma, estar-se-ia a desincentivar a colaboração das partes na regulação do conflito e a permitir que a boa-fé daquele que acredita que o reclamado irá efetivamente efetuar diligências para obter uma solução mais correta, concedendo-lhe tempo para isso, o prejudique, injustamente.

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